quarta-feira, 21 de maio de 2008

Pago para tumultuar

Qual a credibilidade que se pode atestar a um perito que é pago para provar um ponto de vista? A perícia técnica patrocinada pelo estado deve ser, pelo menos é o que se espera, imparcial. O perito do estado não está atrelado a nenhuma das partes, seu lado pode, deve e é norteado pela busca da verdade.

A um laudo encomendado já não se pode dizer a mesma coisa. Qual a vantagem de se contratar um perito que negue a tese que se quer provar? Assisti a uma entrevista do perito contratada pela defesa de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, os acusados no caso do assassinato da menina Isabella Nardoni, na qual ele invalidava, in límine, i.e., pelo simples exame dos laudos, algumas das conclusões emanadas pela polícia técnica de São Paulo.

E essa é a sua função: lançar dúvidas sobre tudo. Nada diferente do que a defesa tem feito desde o início do caso, sempre lançando dúvidas sobre a eficiência das investigações efetuadas pela polícia. Entende-se, é o jus esperneandi, típico de quem não tem outra linha de defesa possível.

domingo, 18 de maio de 2008

Banalização da Violência

- Hoje pela manhã foi assassinado um delegado de polícia na cidade do Rio de Janeiro. A vítima foi alvejada por tiros quando saía de um supermercado onde fora comprar um pão.

Dito assim parece algo normal, banal, a notícia não espanta ninguém num país onde ocorrem 50 mil assassinatos por ano. Parece que a vítima não tem pais, filhos, esposa, irmãos, amigos, é só mais uma das milhares de vítima que tombam todos os dias nas cidades brasileiras.

Depois você outra notícia, informando que crescem os índices de aprovação do nosso governo. Tem lógica, muita lógica...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Bá!

Bá é uma - super! - síncope da frase "mas que barbaridade tchê!". Essa expressão, condensada nesse monossílabo, e que é usada para demonstrar uma sensação de espanto entre os nossos conterrâneos, logo identifica quem é originário daqui desses pagos, quem é do Rio Grande de Sul.

E assim é com todos os nossos estados, cada um com seus hábitos, costumes, e um linguajar próprio. Para quem é da casa, para os nativos das diversas regiões do país, fica difícil de identificar esse linguajar - que soa, como seria de esperar, natural. Para os forasteiros ela chama a atenção imediatamente.

Além disso, é comum verificar por aqui - no RGS - a incorporação de várias expressões trazidas do espanhol, uma decorrência da proximidade com a fronteira dos países que falam o idioma. Por aqui ninguém se atrapalha ao ouvir palavras tais como "bueno", "griz", "cucharra" e "entonces" - bom, cinza, colher e então. E viva esse Brasil continente!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Entendimento

Os assuntos são bem diferentes, uma história é pura tragédia, a outra é contado como uma piada, comédia. O assunto do primeiro é tão pesado que não permite que se faça dele uma tragicomédia, seria, certamente, uma de péssimo gosto. Na comédia, dizem que quando se é pego na cama, mesmo diante de um flagrante inescapável de traição, a única defesa possível é negar o inegável. Isso porque certos crimes nunca ficam menores, nem mesmo pela confissão.

Esse trágico caso do assassinato da menina Isabella Nardoni é uma tragédia que tem essa mesma característica. Não há uma linha de defesa alternativa, e a única saída para os autores é morrer negando a autoria do crime. Quem de nós consideraria os autores menos diabólicos se confessassem o delito?

É um caso que não admite arrependimento eficaz. Por isso não estranhem essa insistência em se negar a autoria, essa insistência em inventar uma terceira pessoa num prazo de tempo impossível. Os acusados se defendem da única forma possível: negando a autoria. Não há outra saída, inexistem alternativas.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Os mercadores do templo

O uso que os jornalistas fazem da tragédia, transformando a dor alheia em objeto, em mercadoria, revolta e causa repugnância. Manter e explorar o interesse - de muitos mórbido - significa aumentar os índices de audiência, representa vender, representa muito dinheiro.

Querem nos fazer acreditar que possuem um legítimo interesse no sofrimento alheio? Nada disso! A ética está morta. A humanidade está morta e morre a cada momento, a cada frase, a cada manchete, a cada "olhe, preste atenção se emocione... e compre..."

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Saturação

Não me entendam mal, eu gosto de futebol. Mas acho que, a despeito desse caso Isabella, são assuntos que já andam prá já de saturados. Talvez para os moradores dos chamados grandes centros - i.e., Rio de Janeiro e São Paulo - essa saturação não seja muito sensível.

Não falo por todos, nem tenho procuração para isso, mas para mim essa coisa de que todo brasileiro é torcedor de algum time do Rio ou de São Paulo é uma falácia. Eu torço por um time do meu estado, e pouco se me dá o que acontece com os times de outras partes do país.

Não me interessam resultados, política interna dos clubes, fofocas e etc dos clubes de fora daqui. Assuntos que, a exceção do resultado, não me interessa nem com relação aos clubes daqui. Fala-se que futebol é um esporte. Está correto, mas para quem pratica. Para quem torce é só um espetáculo. E de graça limitada ao território de cada um.