segunda-feira, 28 de abril de 2008

Carta ao meu guru

Ele não é do tipo que quer ser guru. Mas, mesmo assim, ele é o meu guru. Sempre gostei do seu estilo, intelectual e despojado, inteligente sem ser prepotente. Simples, qualidade de quem é inteligente, e ele o é. O acompanho há longo tempo, não sei dizer quanto, nem importa, que essa coisa não se mede por tempo de "gurusagem".

O meu guru é o professor, o doutor Juremir Machado da Silva. Mesmo assim, não me sinto obrigado a concordar em número, gênero e grau com tudo o que pensa e diz meu querido guru. Com a maioria do que diz e pensa, concordo, mas de algumas coisas discordo. E acho que isso não é nada extraordinário nessa nossa relação guru-discípulo, não é mesmo?

Um desses assuntos em que discordamos é na atual política sobre grupos ditos perseguidos pela maioria branca. Nesse assunto, confesso que fico procurando - sem encontrar - no meu pecado, pela minha parcela de culpa na aflição desses povos. Não colonizei, não escravizei, não sou latifundiário. É difícil, inclusive, reconhecer que a minha cor tenha me trazido algum tipo de vantagem na minha luta pela existência.

Esses dias ouvi que uma onça brasileira necessita de cinqüenta quilômetros quadrados de mata para sobreviver. Dividindo-se a nossa área territorial - cerca de oito milhões e meio de quilômetros quadrados - pela área necessária para cada onça, obtém-se o número máximo de onças que poderiam viver no país: 170.000 onças.

Quem sabe, em nome da população de onças, nós não deveríamos abandonar o país em prol da sobrevivência desses bichanos? Afinas, eles estavam aqui antes da nossa chegada.

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