terça-feira, 30 de setembro de 2008
Sem saída?
O que dizer dessas próximas eleições municipais? Como encontrar motivação para participar de um processo eleitoral que se sabe - ou pelo menos se pressupõe - de antemão que irá resultar em nada, ou quase nada? Se é impossível afastar da questão esse lado desesperançado, por outro, simplesmente omitir-se do processo também não é boa idéia, pois não trará a almejada solução para o problema.
Diante disso é preciso acreditar que a política pode e deve ser diferente e, de alguma forma, ajudar a promover uma espécie de reengenharia de todo processo de participação popular na formação de uma democracia popular realmente representativa e eficiente. Ninguém duvida que esse processo só será possível se, apartir da participação individual, forçarmos uma mudar no comportamento coletivo.
Devemos enfrentar igualmente a realidade de qualquer processo democrático representativo: os representantes de qualquer grupo sempre representam a essência desse mesmo grupo. Nesse sentido, falar-se que os nossos políticos são isso ou aquilo, desqualificá-los, é também desqualificar ou aceitar que nós somos iguais.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Ainda assim uma vitória!
Quando oivi a notícia da libertação de Ingrid Betancourt, imaginei que essa inesperada atitude fosse proveniente de um rasgo de humanismo dos cruéis terroristas das FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Estava errado, Betancourt havia sido resgata por uma ação levada a efeito pelo exército colombiano.
Ainda assim foi mais uma vitória contra o terror! Sempre é bom saber que, com dizem os jovens, "a turma do mal" perdeu mais uma. Num mundo tão cheio de maldades e injustiças, manter alguém sequestrado durante mais de seis anos é de uma crueldade injustificável. Sempre é bom afirmar isso, porque "essa turma do mal" costuma justificar esse - e todo o tipo de maldades que costumam cometer - com a velha e surrada assertiva de que os fins justificam os meios.
Minimizar as vitímas do terrorismo faz parte do discurso dessa gente sem moral. Costumam maximizar qualquer vitíma daquilo que chamam de reacionarismo daqueles que os combatem, mas não têm a mesma atitude para as vitímas das suas maldades, elas são sempre "acidentes de percurso". Esses dias ouvi alguém afirmando que Fidel Castro "estava absolvido dos crimes cometidos em nome da revolução". Absolvido por quem? Pelas esposas e filhos dos mortos? Ou terá sido pelos mortos?
Esse relativismo moral ajuda a condenar esse tipo de gente; que ninguém esqueça os milhões de mortos, as vitímas que tombaram em nome dos defendores da "democracia" do pensamento único.
Ainda assim foi mais uma vitória contra o terror! Sempre é bom saber que, com dizem os jovens, "a turma do mal" perdeu mais uma. Num mundo tão cheio de maldades e injustiças, manter alguém sequestrado durante mais de seis anos é de uma crueldade injustificável. Sempre é bom afirmar isso, porque "essa turma do mal" costuma justificar esse - e todo o tipo de maldades que costumam cometer - com a velha e surrada assertiva de que os fins justificam os meios.
Minimizar as vitímas do terrorismo faz parte do discurso dessa gente sem moral. Costumam maximizar qualquer vitíma daquilo que chamam de reacionarismo daqueles que os combatem, mas não têm a mesma atitude para as vitímas das suas maldades, elas são sempre "acidentes de percurso". Esses dias ouvi alguém afirmando que Fidel Castro "estava absolvido dos crimes cometidos em nome da revolução". Absolvido por quem? Pelas esposas e filhos dos mortos? Ou terá sido pelos mortos?
Esse relativismo moral ajuda a condenar esse tipo de gente; que ninguém esqueça os milhões de mortos, as vitímas que tombaram em nome dos defendores da "democracia" do pensamento único.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Serei eu?
Será que estou ficando um chato? Ou será que são os comerciais da televisão que estão cada vez menos interessantes? Vejo um grande número de comerciais, como posso dizer? Não quero parecer grosseiro, digamos que são sobre os graves problemas intestinais da população.
Isso deve partir da constatação de que vivemos uma época em que a constipação intestinal se tornou uma espécie de mal do século. Vejo comerciais em que aparece gente sorrindo, alegres, leves e soltos, fazendo-nos crer que o motivo de tanta alegria é o bom funcionamento do aparelho intestinal, ou seja, é defecar e sorrir. Trocou o "defecar e andar" pelo "defecar e sorrir".
Depois vem a maior - e pior! - série: a dos que procuram transmitir um sentimento de urgência - detestáveis! -, a dos que são proferidos aos gritos - odiosos! -, e talvez os piores: dos piores, os dos jingles - que provocam ânsia de vômitos!
Por isso é que pergunto: serei eu?
Isso deve partir da constatação de que vivemos uma época em que a constipação intestinal se tornou uma espécie de mal do século. Vejo comerciais em que aparece gente sorrindo, alegres, leves e soltos, fazendo-nos crer que o motivo de tanta alegria é o bom funcionamento do aparelho intestinal, ou seja, é defecar e sorrir. Trocou o "defecar e andar" pelo "defecar e sorrir".
Depois vem a maior - e pior! - série: a dos que procuram transmitir um sentimento de urgência - detestáveis! -, a dos que são proferidos aos gritos - odiosos! -, e talvez os piores: dos piores, os dos jingles - que provocam ânsia de vômitos!
Por isso é que pergunto: serei eu?
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Quem foi mesmo?
A situação acusa a oposição de encetar uma campanha contra a cognominada mâe (numa reação contra a deslavada e descarada propaganda eleitoreira da situação) do chamado Plano de Aceleração do Crescimento - PAC - Dilma Roussef.
Os dois fatos mais notórios desse plano teria sido o dossiê contra o ex-presidente FHC, elaborado dentro da Casa Civil e por funcionário de confiança afiliado ao PT, e agora as acusações da ex-diretora da ANAC, Denise Abreu, igualmente ex-fumcionária de confiança e filiada ao PT, de que Dilma teria feito tráfico de influência no episódio da venda da VARIG.
Vamos tentar entender: quer dizer que dois funcionários de confiança, indicados pelo Partido dos Trabalhadores, fazem acusações contra a ministra Dilma e a culpa de tudo é da oposição? Não precisa explicar, eu só queria entender a lógica da responsabilidade quanto a esses episódios...
Os dois fatos mais notórios desse plano teria sido o dossiê contra o ex-presidente FHC, elaborado dentro da Casa Civil e por funcionário de confiança afiliado ao PT, e agora as acusações da ex-diretora da ANAC, Denise Abreu, igualmente ex-fumcionária de confiança e filiada ao PT, de que Dilma teria feito tráfico de influência no episódio da venda da VARIG.
Vamos tentar entender: quer dizer que dois funcionários de confiança, indicados pelo Partido dos Trabalhadores, fazem acusações contra a ministra Dilma e a culpa de tudo é da oposição? Não precisa explicar, eu só queria entender a lógica da responsabilidade quanto a esses episódios...
terça-feira, 3 de junho de 2008
O ovo ou a galinha?
Por vezes é difícil dizer o que vem primeiro, se a ação ou a reação. Essa crise mundial no abastecimento de alimentos - com o conseqüente aumento dos preços no mercado mundial - parece coisa deflagrada pela imprensa. Sei que estou - ou devo estar - exagerando, mas a impressão que fica é a de que num cenário de aparente calma a notícia explodiu como uma bomba provocando aumentos em todo o mundo.
Vejo acontecer o mesmo em outras áreas, em campos que se mostram particularmente sucestíveis a esse tipo de notícia. Já repararam que sempre às vésperas das reuniões do Conselho de Política Monetária - COPOM - pipocam em todos os pontos notícias sobre inflação, sobre a elevação de preços? Não posso afirmar, mas fica a impressão de que são boatos plantados com a intenção de provocar uma reação das autoridades monetárias.
Não digo que esses assuntos sejam de todo criados, parece óbvio que sempre existe a base, o fundamento - como dizem: onde há fumaça, há fogo -, mas acredito que a sede de fabricar uma notícia, a excessiva divulgação do fato jornalístico, se por um lado faz parte do ato de informar, também ajuda a fixar as tendências.
Vejo acontecer o mesmo em outras áreas, em campos que se mostram particularmente sucestíveis a esse tipo de notícia. Já repararam que sempre às vésperas das reuniões do Conselho de Política Monetária - COPOM - pipocam em todos os pontos notícias sobre inflação, sobre a elevação de preços? Não posso afirmar, mas fica a impressão de que são boatos plantados com a intenção de provocar uma reação das autoridades monetárias.
Não digo que esses assuntos sejam de todo criados, parece óbvio que sempre existe a base, o fundamento - como dizem: onde há fumaça, há fogo -, mas acredito que a sede de fabricar uma notícia, a excessiva divulgação do fato jornalístico, se por um lado faz parte do ato de informar, também ajuda a fixar as tendências.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Pago para tumultuar
Qual a credibilidade que se pode atestar a um perito que é pago para provar um ponto de vista? A perícia técnica patrocinada pelo estado deve ser, pelo menos é o que se espera, imparcial. O perito do estado não está atrelado a nenhuma das partes, seu lado pode, deve e é norteado pela busca da verdade.
A um laudo encomendado já não se pode dizer a mesma coisa. Qual a vantagem de se contratar um perito que negue a tese que se quer provar? Assisti a uma entrevista do perito contratada pela defesa de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, os acusados no caso do assassinato da menina Isabella Nardoni, na qual ele invalidava, in límine, i.e., pelo simples exame dos laudos, algumas das conclusões emanadas pela polícia técnica de São Paulo.
E essa é a sua função: lançar dúvidas sobre tudo. Nada diferente do que a defesa tem feito desde o início do caso, sempre lançando dúvidas sobre a eficiência das investigações efetuadas pela polícia. Entende-se, é o jus esperneandi, típico de quem não tem outra linha de defesa possível.
A um laudo encomendado já não se pode dizer a mesma coisa. Qual a vantagem de se contratar um perito que negue a tese que se quer provar? Assisti a uma entrevista do perito contratada pela defesa de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, os acusados no caso do assassinato da menina Isabella Nardoni, na qual ele invalidava, in límine, i.e., pelo simples exame dos laudos, algumas das conclusões emanadas pela polícia técnica de São Paulo.
E essa é a sua função: lançar dúvidas sobre tudo. Nada diferente do que a defesa tem feito desde o início do caso, sempre lançando dúvidas sobre a eficiência das investigações efetuadas pela polícia. Entende-se, é o jus esperneandi, típico de quem não tem outra linha de defesa possível.
domingo, 18 de maio de 2008
Banalização da Violência
- Hoje pela manhã foi assassinado um delegado de polícia na cidade do Rio de Janeiro. A vítima foi alvejada por tiros quando saía de um supermercado onde fora comprar um pão.
Dito assim parece algo normal, banal, a notícia não espanta ninguém num país onde ocorrem 50 mil assassinatos por ano. Parece que a vítima não tem pais, filhos, esposa, irmãos, amigos, é só mais uma das milhares de vítima que tombam todos os dias nas cidades brasileiras.
Depois você outra notícia, informando que crescem os índices de aprovação do nosso governo. Tem lógica, muita lógica...
Dito assim parece algo normal, banal, a notícia não espanta ninguém num país onde ocorrem 50 mil assassinatos por ano. Parece que a vítima não tem pais, filhos, esposa, irmãos, amigos, é só mais uma das milhares de vítima que tombam todos os dias nas cidades brasileiras.
Depois você outra notícia, informando que crescem os índices de aprovação do nosso governo. Tem lógica, muita lógica...
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